LENDO OSCAR CULLMANN - Este blog foi criado e idealizado pelos bacharelandos do Curso de Teologia da Faculdade Batista Brasileira-FBB, sediada na cidade de Salvador/BA, visando o compartilhamento de informações a respeito de um dos teólogos que popularizou a heilsgeschichte (história da salvação): OSCAR CULLMANN.
Bem Vindos!
É uma enorme satisfação podermos estar compartilhando estas informações, acreditamos ser de importante ajuda comentar sobre este que foi um dos ícones do estudo da Teologia do Novo Testamento.
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Cristos e os Aions
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Heilsgeschichte: a escola teológica do Dr. Oscar Cullmann - Fichamento
Cullmann, por ocasião de sua heilsgeschichte, teve que interagir com as idéias de Barth e Bultmann. Contudo, manteve algumas perspectivas teológicas deste dois teólogos, mas ao mesmo tempo se desassociou desses homens, alegando que ambos assimilaram noções filosóficas estranhas que vieram a corromper a percepção da mensagem espontânea do NT.
As diferenças entre Cullmann e seus contemporâneos Barth e Bultmann, explica o porquê das suas idéias terem sido aceitas entre os evangélicos ocidentais. Os escritos de Cullmann foram menos dependentes do existencialismo e de outros pressupostos filosóficos, sendo mais dependentes da exegese bíblica do que a obra de Barth e Bultmann. Oscar Culmann ainda destacou a importância da história para a compreensão adequada da Bíblia, comungando com a teologia ortodoxa ao enfatizar na idéia central da salvação, de que Deus atua na história.
Num segundo momento o autor do ensaio nos traz os principais postulados deixados pela escola teológica heilsgeschichte, tais como: o tempo é algo no qual Deus atua para realizar a salvação do homem em Cristo; a revelação e a redenção divina estão baseadas em realidades históricas bem objetivas, e não em mitos levantados pela igreja, como afirma Bultmann; o dado básico da religião cristã passa a ser a história santa e a Escritura passa a ser apenas uma constante desse dado definitivo, e não uma realidade em si mesma; a ação central na história da salvação é a primeira vinda de Jesus Cristo como Salvador; as bênçãos da era vindoura começaram com a obra e o testemunho de Cristo, mas sua finalização está reservada para o tempo da segunda vinda, quando o Reino de Deus estará presente de modo pleno em todo o seu poder e glória; e, quanto à revelação, o interprete somente conhece a história quando se identifica com ela.
Na conclusão do estudo, o autor coloca que a forte insistência na salvação como um sucesso histórico centrado em Cristo, enfatizado por Cullmann, é muito útil como defesa apologética, além de refutar a contento o programa de desmitologização de Bultmann. Entretanto, o leitor evangélico deve ter sempre a idéia de que os pressupostos básicos de Cullmann são os de Barth e Bultmann, sendo que às vezes esses mesmos pressupostos são um embaraço para o exame e a compreensão da heilsgeschichte.
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
CRISTO E O TEMPO - PARTE I

Na primeira parte da obra, Culmann realiza uma apologia sobre a continuidade da linha do tempo concernente a salvação, estabelecendo uma terminologia relativa ao tempo no NT. Utilizando-se de dois termos gregos: kairos que designa no tempo um momento determinado por seu conteúdo, isto é, uma ocasião propícia para ocorrer um evento; e aiôns que designa uma duração, um espaço no tempo, limitado ou não.
Num segundo momento, o autor, estabelece que os cristãos primitivos, assim como o judaísmo bíblico concebiam simbolicamente o tempo como uma linha ascendente, enquanto que no pensamento grego o tempo não era concebido como uma linha ascendente, com começo e um fim, mas sim como um círculo eterno onde todas as coisas tornam acontecer. Estas concepções vão influenciar a maneira como os cristãos primitivos e o pensamento grego da época do NT tinham acerca da história da salvação.
Denominar o tempo e entendê-lo de que forma ele age, influencia também na concepção de eternidade. Destarte, Culmann estabelece na sua obra outra dicotomia entre o pensamento grego e a concepção cristã primitiva sobre a eternidade. Pois para o pensamento platônico a eternidade não seria um prolongamento do tempo e sim a ausência dele, enquanto que no cristianismo primitivo Deus não poderia agir fora do tempo, pois Ele é eterno, sendo aquele que era, que é e que será, sendo a eternidade uma sucessão infinita de aiôns, tanto, que o autor estabelece três aiôns: o primeiro antes da criação que já estava preparada no plano divino, um segundo que corresponderia ao presente que se situa entre a criação e o fim do mundo, e um terceiro no qual ocorreria os eventos finais.
Culmann quando definiu eternidade, observou a necessidade de determinar a soberania de Deus sobre o tempo, pois para entender a eternidade como infinita dentro da linha do tempo é necessário que tenhamos o entendimento que Deus utiliza parâmetros para medir o tempo diferente dos nossos. Pois, somente o divino pode conceber, visualizar e dominar a linha infinita do tempo, por ser Deus a própria linha. Ele seria o eterno o “rei do aiôns”. Esta soberania de Deus sobre a linha do tempo é manifestada por ocasião do desígnio divino da predestinação e da preexistência, e também na história de Cristo.
Trabalhando na concepção do tempo no que tange a história da salvação, Culmann traz uma nova divisão do tempo a partir do centro da história da salvação que seria o advento do Messias. Para o autor, na história da salvação o que já está cumprido, isto é, a vinda de Cristo, constitui a firme garantia do que se cumprirá. Para o autor a vinda de Cristo, não pode ser considerada um “tempo novo” que é criado, e sim uma nova divisão do tempo.
Sabedor que os autores dos primeiros escritos do NT, estavam desprovidos do sentido histórico e, por conseguinte, toda distinção entre história e mito lhes foram a priori estranha. Culmann crítica os teólogos que suprimem a relação de união entre história e mito, por destruir a própria linha do tempo. Pois para o autor constatar que um mito não é “histórico” não implica que o evento que ele circunscreve não tenha seu lugar no tempo, e que o essencial é entender que nos escritos cristãos primitivos, as próprias partes históricas não estão presentes como história, mas como “revelação profética sobre a história”
O autor alega que a história da salvação, também é a história do Cristo, pois o advento do Messias deve ser colocado como ponto central da história da salvação, ou seja, a linha do tempo da história da salvação foi traçada a partir do evento central, infinita antes e depois deste evento. Esta representação temporal nos permite falar de Cristo em qualquer momento da linha do tempo, pois não se pode falar de Deus fazendo abstração do Cristo. Para isto o autor traz um pouco de sua cristologia ao compreender Cristo como mediador da criação, como o servo sofredor de Iahvé cumprindo a eleição de Israel, como Kyrios que reina atualmente e como o Filho do Homem que completa toda a história sendo mediador da nova criação.
O autor conclui a primeira parte da obra determinando um movimento duplo temporal da linha salvação, este movimento duplo abrangeria dois princípios teológicos: a eleição e a substituição. Ou seja, sendo Israel o povo eleito de Deus não conseguiu cumprir em sua totalidade a missão que lhe fora atribuída, havendo então a necessidade do surgimento de um “remanecente” que substitui o povo, do qual falara os profetas. Destarte, a história da salvação, em sua totalidade compreenderia dois movimentos: um corresponderia à passagem da pluralidade ao Único, que fora a Antiga Aliança, e outro que seria a passagem do Único à pluralidade, que é a Nova Aliança.
A Cristologia segundo Oscar Cullmann - Fichamento
PERSPECTIVAS TEOLÓGICAS
CONCEITOS TEOLÓGICOS
Parte do mundo teológico do século vinte girou em torno de uma palavra alemã, Heilsgeschichte, que pode ser traduzida para a língua portuguesa como história da salvação. A palavra ganhou um significado mais pleno dentro da teologia ocidental contemporânea após os escritos de Cullmann. Ainda que o significado e origem de heilsgeschichte remonta aos teólogos alemães do século dezenove, como J.C.K. Von Hofmann e Adolf Schlater, o Dr. Cullmann é a pessoa que popularizou o termo no século vinte.
De Barth, a Heilsgeschichte de Cullmann foi influenciada pela compreensão cristocêntrica do barthianismo e pelo conceito definitivo do papel da fé na revelação divina.
De Bultmann, Cullmann tomou os métodos exegéticos da crítica formal para aplicá-lo em sua reconstrução da história do Novo Testamento.
Devido a essa relação com os escritos de Barth e Bultmann, é sábio referir-se as idéias de Oscar Cullmann como sendo neo-ortodoxas em sua orientação.
Apesar de manter algumas concepções teológicas de Barth e Bultmann, Cullmann não temeu em desassociar-se desses teólogos, afirmando que os dois assimilaram noções filosóficas estranhas que corromperam suas percepções da mensagem espontânea do Novo Testamento. Segundo Cullmann, o impulso de Bultmann, principalmente ao fazer distinção entre os elementos essenciais e acidentais da mensagem do Novo Testamento, é arbitrário e ingênuo. O Novo Testamento, segundo ele, deve ser a chave para a compreensão de si mesmo.
Cullmann também enfatizou a importância da história para a compreensão adequada da Bíblia. Ressaltando a idéia central da história da salvação, como a atuação de Deus na história, comungando assim com a teologia ortodoxa.
6. Quanto à revelação, Cullmann afirma que o interprete somente conhece a história quando se identifica com ela. Obviamente que essa é uma idéia neo-ortodoxa. A história, quando o interprete a conhece, passa a ser revelação, e o estudioso participa dessa história pela fé.
BREVE BIOGRAFIA DE OSCAR CULLMANN
Oscar Cullmann nasceu no ano de 1902 em Estrasburgo no leste da França na fronteira com a Alemanha, estudou teologia e filosofia clássica na própria Estrasburgo e Paris e, em 1924 colou o grau de bacharel em teologia, vindo a tornar-se em Paris instrutor de grego e latim na École de Batignolles neste mesmo ano.