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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A Cristologia segundo Oscar Cullmann - Fichamento

ALVES, Carlos Eduardo Cavalcanti. A cristologia segundo Oscar Cullmann. (Carlos Eduardo Cavalcanti Alves é bacharel em Admnistração e pós-graduado em Teologia pela FTBSP, sendo pastor da 1ª Igreja Batista em Mogi Mirim-SP)

O autor na introdução de seu ensaio afirma que a proposta cullmianna para a investigação cristológica se utiliza de um método denominado pelo próprio Cullmann de método histórico-filológico. Carlos Eduardo coloca o método cullmianna como uma possível síntese entre a dogmática e a crítica histórica, pois Cullmann analisa filologicamente o texto, interpretando-o e utilizando-o como fundamento para a compreensão do Cristo, sem a utilização de esquemas filosófico-teológicos.

Relatando sobre a humanidade de Cristo, o autor alega que Cullmann vê Jesus como um judeu, que por intermédio de sua vida, inaugurou uma religião diferente do judaísmo, iniciando uma cosmologia diferente da encontrada no helenismo. Cullmann também afirma que a dogmática, predominantemente metafísica, deveria ceder espaço a perspectiva do evento Cristo como parte integrante da história da salvação. Outra afirmação cullmianna acerca da humanidade de Jesus é que na crucificação e ressurreição de Jesus, o Cristo da fé e o Jesus histórico provam ser um único e mesmo Senhor Jesus Cristo.

Argumentando sobre o ministério de Jesus Cristo, Carlos Eduardo enfatiza que Oscar Cullmann é de opinião de que o título de Servo Sofredor de Deus, atribuído a Jesus Cristo, é central para a cristologia do Novo Testamento. Pois por intermédio deste título é que é possível trabalhar o conceito de substituição, o qual há uma implicação natural do pensamento judaico de representatividade e de solidariedade corporativa. Outro aspecto abordado por Cullmann seria a questão de que o sacrifico de Cristo fora realizado uma vez por todas, não havendo a necessidade de repetição, tendo seu alcance ilimitado.



O autor na segunda parte de seu ensaio discursa a respeito dos vários títulos cristológicos conforme a concepção de Cullmann. O primeiro título abordado seria o de Messias, que certamente é o mais mencionado, e Cullmann destaca este título como uma promessa de Deus a Davi, tendo em vista que Messias é traduzido no grego pelo particípio “ungido” que se referia a homens escolhidos por Deus para determinada missão. Neste caso a promessa davídica foi à perpetuidade de seu reinado, cumprida na esperança escatológica de Cristo. Aliás, esta esperança escatológica é traduzida por outro título cristológico que é o de “Filho do Homem” que faz referência, de acordo com a crença judaica, a um homem celestial presente em descrições da parusia; quandoeste homem do céu será o executor do juízo divino sobre a terra.

Entretanto, a fé cristã não pode ser resumida a atuação de Jesus no passado, ou a nutrição de uma expectativa da vinda de um reino escatológico, por isso, Cullmann vê na denominação cristológica de Kyrios, que significa “Senhor”, uma atuação atual de Cristo sobre a comunidade cristã, como cabeça e Senhor desta comunidade. Destarte, a adoção do termo Kyrios pelas comunidades cristãs primitivas seria uma reação aos “senhores”, ou seja, as divindades pagãs às quais era dispensado este mesmo tratamento. Pois os cristãos reconheciam somente um só “Senhor”, denominando a Cristo como Kyrios, cuja revelação desmistificava todos os outros supostos kyrioi.


Outro título cristólogico argumentado é o de Salvador, que segundo conceito helênico de “Sóter” se aplicava aos deuses que intervinham na história sobre as autoridades humanas quando da libertação de determinado povo da opressão e dos males sofridos. Contudo, Cullmann atribui o termo “Sóter” como um mero complemento de Kyrios, sendo Cristo o nosso Sóter, por ter Ele nos salvado do pecado.

Por fim, o autor finaliza o seu ensaio abordando o título de “Filho de Deus” que é atribuído a Jesus. Cullmann afirma que a influência helênica acerca do conceito de “Filho de Deus” é limitada. Pois o uso deste termo era vasto, aplicando-se a monarcas, traumaturgos, pessoas que de alguma forma manifestavam poderes sobrenaturais, e por estar presente como expressão comum em obras antigas. Assim sendo, Cullmann conclui é que Jesus designou-se como “Filho de Deus”, para demonstrar sua consciência de intimidade ímpar com o Deus Pai, zelando para que esta intimidade fosse separada de qualquer associação a uma realeza messiânica. Isto é, para Cullmann Jesus é “Deus enquanto se revela”, pois somente há sentido em se falar da divindade de Jesus quando associada à história da salvação, porque foi desta forma que Deus se revelara nas Escrituras, cuja concepção de Deus não é esgotada.

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