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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Cristos e os Aions

O caráter temporalmente único do evento central, a  
aparição de Cristo.

Ao situar o Cristo de Deus como sendo o evento central da linha temporal da história da  salvação, em todos os tempos, e esses vários  “kairoi” que surgem em cada “aiôn” estão relacionados com o evento central, pois os fatos a eles relacionados se deu de uma vez por todas e por isso não se   repetirá mais, esse caráter está presente em todas as partes da história da salvação. O termo “efapas” muito trabalhado pelo autor, isto devido ao fato do autor utilizar com o  método histórico-critico e lingüístico. Em primeiro lugar vai significar, o ato salvífico, histórico, cumprido por Jesus Cristo e por outro, ele caracteriza, de uma maneira toda especial, o evento central. Daí podemos compreender como foi difícil para os primeiros cristãos a crer na historia da salvação, pois era muito mais fácil crer na historia da salvação enquanto seu centro estava, colocado, como é o caso do judaísmo, no futuro escatológico, isto é em um tempo que poderia ser somente objeto de profecia e que podia controlar historicamente. Pois a fé que se exigia dos primeiros cristãos era muito mais difícil do que a que era exigida dos judeus, pois acerca do messias esperado pelos judeus era dito: “não se sabe de onde vem(Jo 7.27;Hb 7.3).” Dentre outros fatores que colocavam a fé das comunidades primitivas, foi o movimento dos “docetismo” que negava o Jesus histórico ao descentralizá-lo da linha da história da salvação. Cita o autor “Se toda especulação sobre as duas naturezas não se der à luz dos grandes atos históricos e salvíficos de Jesus Cristo é antibíblica.”
O período passado da história da salvação e sua relação com o evento central, a aparição de Cristo.
O período passado que começa no gênese e vai até Cristo, se relaciona com o evento central, na medida em que as comunidades primitiva recebia as Escrituras como revelação de Deus,”um véu subsiste sobre os livros mosaicos, tanto que essa compreensão não foi revelada;em Cristo, o véu foi retirado, pois, desde, é possível, partindo daí, ler e compreender Moisés(2Co 3.14).” Assim a igreja primitiva não suprimiu o antigo testamento, como o quis Marcião, e isso explica porque, depois da metada do segundo século, existe na igreja um antigo e um novo testamento.quando o apostolo Paulo afirma que o que nos é descrito no antigo testamento foi “escrito para nós(Rm 4.24; 15.4), é para mostrar que os eventos relatados no antigo testamento que, como tais, têm seu próprio valor na historia da salvação, são, por esta mesma razão, a preparação da vinda de Cristo, do evento central que dá seu sentido a toda história da salvação.

O período futuro da história da salvação e sua relação com o evento central, a aparição de Cristo.
O futuro para o judaísmo era diferente da visão de futuro para o cristianismo primitivo,pois para o judaísmo o futuro estava naquele que estava por vir, mas para os cristão naquele que já veio, Na realidade, o “telos” que dá seu sentido à história é Jesus Cristo que já veio.Pode-se aplicar a afirmação do apóstolo Paulo em Rm 10.4 ”Cristo é o fim da lei”, a todos os elementos da história  da salvação: seu telos é o cristo morto sobre a cruz e ressuscitado. Antes, o telos era apenas uma esperança; de agora em diante se reconhece nele um cumprimento. O pensamento do cristianismo primitivo é, também, escatológico, mas não mais de uma maneira “ conseqüente”, quer dizer, exclusivamente escatológico, se dermos a este termo, como devemos necessariamente fazer, seu sentido de futuro; com efeito, empregar o termo de outra maneira é desviá-lo de sua verdadeira significação. Pela relação com a batalha decisiva, já determinada em um momento qualquer da guerra, o  dia da vitória, traz ainda um elemento novo, o mesmo do fim que ainda virá. Sem dúvida, este elemento novo que o dia da vitória traz tem por fundamento essencial a batalha decisiva e, sem ela, ele não poderia existir. O que o dia da vitória traz de novo à decisão  já tomada é o Espírito Santo, que assenhorar-se-á de todo o mundo da carne, da matéria para transformá-lo, pois, só o próprio corpo de Cristo ressuscitou e tornou-se um corpo espiritual.Nós devemos mesmo dizer que, precisamente para o cristianismo primitivo, os eventos escatológicos devem se desenvolver em um quadro que inclui a terra; pois o elemento novo somado pelo cumprimento final de uma decisão já tomada é que o Espírito Santo, que no batismo habita provisoriamente o homem interior, recriará toda a matéria livre as carne.

O período presente da história da salvação e sua relação com o evento central, a aparição de Cristo.
A época presente começa na páscoa é a pedra de toque de uma concepção exata da compreensão que se tem do tempo e da historia no cristianismo primitivo, para os primeiros cristãos a historia da salvação não é apenas uma simples teoria, mas que os primeiros cristãos conscientizaram-se de serem realmente os instrumentos de uma história divina partícula. Não é em vão que a mais antiga confissão de fé ”Cristo reina”, se relaciona ao tempo presente, ávida atual da igreja. Esse sentimento de consciência hoje esta mais atenuado, e por isso a ação do Espírito Santo é rara e a igreja não se acha fazedora parte da história da salvação como peça fundamental.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Heilsgeschichte: a escola teológica do Dr. Oscar Cullmann - Fichamento

GONÇALVES, Leonardo. Heilsgeschichte: a escola teológica do Dr. Oscar Cullmann. (Leonardo Gonçalves é pastor, professor de teologia sistemática e missionário batista em Piura no norte do Peru, sendo editor dos blogs teologia contemporânea e púlpito cristão)
A palavra alemã heilsgeschichte traduzida como história da salvação ganhou notoriedade nos escritos de Cullmann, o qual popularizou o termo no século vinte, apesar do significado do termo se remontar aos teólogos alemães do século dezenove, como J.C.K. Von Hofmann e Adolf Schlater.

Cullmann, por ocasião de sua heilsgeschichte, teve que interagir com as idéias de Barth e Bultmann. Contudo, manteve algumas perspectivas teológicas deste dois teólogos, mas ao mesmo tempo se desassociou desses homens, alegando que ambos assimilaram noções filosóficas estranhas que vieram a corromper a percepção da mensagem espontânea do NT.

As diferenças entre Cullmann e seus contemporâneos Barth e Bultmann, explica o porquê das suas idéias terem sido aceitas entre os evangélicos ocidentais. Os escritos de Cullmann foram menos dependentes do existencialismo e de outros pressupostos filosóficos, sendo mais dependentes da exegese bíblica do que a obra de Barth e Bultmann. Oscar Culmann ainda destacou a importância da história para a compreensão adequada da Bíblia, comungando com a teologia ortodoxa ao enfatizar na idéia central da salvação, de que Deus atua na história.

Num segundo momento o autor do ensaio nos traz os principais postulados deixados pela escola teológica heilsgeschichte, tais como: o tempo é algo no qual Deus atua para realizar a salvação do homem em Cristo; a revelação e a redenção divina estão baseadas em realidades históricas bem objetivas, e não em mitos levantados pela igreja, como afirma Bultmann; o dado básico da religião cristã passa a ser a história santa e a Escritura passa a ser apenas uma constante desse dado definitivo, e não uma realidade em si mesma; a ação central na história da salvação é a primeira vinda de Jesus Cristo como Salvador; as bênçãos da era vindoura começaram com a obra e o testemunho de Cristo, mas sua finalização está reservada para o tempo da segunda vinda, quando o Reino de Deus estará presente de modo pleno em todo o seu poder e glória; e, quanto à revelação, o interprete somente conhece a história quando se identifica com ela.

Na conclusão do estudo, o autor coloca que a forte insistência na salvação como um sucesso histórico centrado em Cristo, enfatizado por Cullmann, é muito útil como defesa apologética, além de refutar a contento o programa de desmitologização de Bultmann. Entretanto, o leitor evangélico deve ter sempre a idéia de que os pressupostos básicos de Cullmann são os de Barth e Bultmann, sendo que às vezes esses mesmos pressupostos são um embaraço para o exame e a compreensão da heilsgeschichte.