O caráter temporalmente único do evento central, a
aparição de Cristo.
Ao situar o Cristo de Deus como sendo o evento central da linha temporal da história da salvação, em todos os tempos, e esses vários “kairoi” que surgem em cada “aiôn” estão relacionados com o evento central, pois os fatos a eles relacionados se deu de uma vez por todas e por isso não se repetirá mais, esse caráter está presente em todas as partes da história da salvação. O termo “efapas” muito trabalhado pelo autor, isto devido ao fato do autor utilizar com o método histórico-critico e lingüístico. Em primeiro lugar vai significar, o ato salvífico, histórico, cumprido por Jesus Cristo e por outro, ele caracteriza, de uma maneira toda especial, o evento central. Daí podemos compreender como foi difícil para os primeiros cristãos a crer na historia da salvação, pois era muito mais fácil crer na historia da salvação enquanto seu centro estava, colocado, como é o caso do judaísmo, no futuro escatológico, isto é em um tempo que poderia ser somente objeto de profecia e que podia controlar historicamente. Pois a fé que se exigia dos primeiros cristãos era muito mais difícil do que a que era exigida dos judeus, pois acerca do messias esperado pelos judeus era dito: “não se sabe de onde vem(Jo 7.27;Hb 7.3).” Dentre outros fatores que colocavam a fé das comunidades primitivas, foi o movimento dos “docetismo” que negava o Jesus histórico ao descentralizá-lo da linha da história da salvação. Cita o autor “Se toda especulação sobre as duas naturezas não se der à luz dos grandes atos históricos e salvíficos de Jesus Cristo é antibíblica.”
O período passado da história da salvação e sua relação com o evento central, a aparição de Cristo.
O período passado que começa no gênese e vai até Cristo, se relaciona com o evento central, na medida em que as comunidades primitiva recebia as Escrituras como revelação de Deus,”um véu subsiste sobre os livros mosaicos, tanto que essa compreensão não foi revelada;em Cristo, o véu foi retirado, pois, desde, é possível, partindo daí, ler e compreender Moisés(2Co 3.14).” Assim a igreja primitiva não suprimiu o antigo testamento, como o quis Marcião, e isso explica porque, depois da metada do segundo século, existe na igreja um antigo e um novo testamento.quando o apostolo Paulo afirma que o que nos é descrito no antigo testamento foi “escrito para nós(Rm 4.24; 15.4), é para mostrar que os eventos relatados no antigo testamento que, como tais, têm seu próprio valor na historia da salvação, são, por esta mesma razão, a preparação da vinda de Cristo, do evento central que dá seu sentido a toda história da salvação.
O período futuro da história da salvação e sua relação com o evento central, a aparição de Cristo.
O futuro para o judaísmo era diferente da visão de futuro para o cristianismo primitivo,pois para o judaísmo o futuro estava naquele que estava por vir, mas para os cristão naquele que já veio, Na realidade, o “telos” que dá seu sentido à história é Jesus Cristo que já veio.Pode-se aplicar a afirmação do apóstolo Paulo em Rm 10.4 ”Cristo é o fim da lei”, a todos os elementos da história da salvação: seu telos é o cristo morto sobre a cruz e ressuscitado. Antes, o telos era apenas uma esperança; de agora em diante se reconhece nele um cumprimento. O pensamento do cristianismo primitivo é, também, escatológico, mas não mais de uma maneira “ conseqüente”, quer dizer, exclusivamente escatológico, se dermos a este termo, como devemos necessariamente fazer, seu sentido de futuro; com efeito, empregar o termo de outra maneira é desviá-lo de sua verdadeira significação. Pela relação com a batalha decisiva, já determinada em um momento qualquer da guerra, o dia da vitória, traz ainda um elemento novo, o mesmo do fim que ainda virá. Sem dúvida, este elemento novo que o dia da vitória traz tem por fundamento essencial a batalha decisiva e, sem ela, ele não poderia existir. O que o dia da vitória traz de novo à decisão já tomada é o Espírito Santo, que assenhorar-se-á de todo o mundo da carne, da matéria para transformá-lo, pois, só o próprio corpo de Cristo ressuscitou e tornou-se um corpo espiritual.Nós devemos mesmo dizer que, precisamente para o cristianismo primitivo, os eventos escatológicos devem se desenvolver em um quadro que inclui a terra; pois o elemento novo somado pelo cumprimento final de uma decisão já tomada é que o Espírito Santo, que no batismo habita provisoriamente o homem interior, recriará toda a matéria livre as carne.
O período presente da história da salvação e sua relação com o evento central, a aparição de Cristo.
A época presente começa na páscoa é a pedra de toque de uma concepção exata da compreensão que se tem do tempo e da historia no cristianismo primitivo, para os primeiros cristãos a historia da salvação não é apenas uma simples teoria, mas que os primeiros cristãos conscientizaram-se de serem realmente os instrumentos de uma história divina partícula. Não é em vão que a mais antiga confissão de fé ”Cristo reina”, se relaciona ao tempo presente, ávida atual da igreja. Esse sentimento de consciência hoje esta mais atenuado, e por isso a ação do Espírito Santo é rara e a igreja não se acha fazedora parte da história da salvação como peça fundamental.
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