
Na primeira parte da obra, Culmann realiza uma apologia sobre a continuidade da linha do tempo concernente a salvação, estabelecendo uma terminologia relativa ao tempo no NT. Utilizando-se de dois termos gregos: kairos que designa no tempo um momento determinado por seu conteúdo, isto é, uma ocasião propícia para ocorrer um evento; e aiôns que designa uma duração, um espaço no tempo, limitado ou não.
Num segundo momento, o autor, estabelece que os cristãos primitivos, assim como o judaísmo bíblico concebiam simbolicamente o tempo como uma linha ascendente, enquanto que no pensamento grego o tempo não era concebido como uma linha ascendente, com começo e um fim, mas sim como um círculo eterno onde todas as coisas tornam acontecer. Estas concepções vão influenciar a maneira como os cristãos primitivos e o pensamento grego da época do NT tinham acerca da história da salvação.
Denominar o tempo e entendê-lo de que forma ele age, influencia também na concepção de eternidade. Destarte, Culmann estabelece na sua obra outra dicotomia entre o pensamento grego e a concepção cristã primitiva sobre a eternidade. Pois para o pensamento platônico a eternidade não seria um prolongamento do tempo e sim a ausência dele, enquanto que no cristianismo primitivo Deus não poderia agir fora do tempo, pois Ele é eterno, sendo aquele que era, que é e que será, sendo a eternidade uma sucessão infinita de aiôns, tanto, que o autor estabelece três aiôns: o primeiro antes da criação que já estava preparada no plano divino, um segundo que corresponderia ao presente que se situa entre a criação e o fim do mundo, e um terceiro no qual ocorreria os eventos finais.
Culmann quando definiu eternidade, observou a necessidade de determinar a soberania de Deus sobre o tempo, pois para entender a eternidade como infinita dentro da linha do tempo é necessário que tenhamos o entendimento que Deus utiliza parâmetros para medir o tempo diferente dos nossos. Pois, somente o divino pode conceber, visualizar e dominar a linha infinita do tempo, por ser Deus a própria linha. Ele seria o eterno o “rei do aiôns”. Esta soberania de Deus sobre a linha do tempo é manifestada por ocasião do desígnio divino da predestinação e da preexistência, e também na história de Cristo.
Trabalhando na concepção do tempo no que tange a história da salvação, Culmann traz uma nova divisão do tempo a partir do centro da história da salvação que seria o advento do Messias. Para o autor, na história da salvação o que já está cumprido, isto é, a vinda de Cristo, constitui a firme garantia do que se cumprirá. Para o autor a vinda de Cristo, não pode ser considerada um “tempo novo” que é criado, e sim uma nova divisão do tempo.
Sabedor que os autores dos primeiros escritos do NT, estavam desprovidos do sentido histórico e, por conseguinte, toda distinção entre história e mito lhes foram a priori estranha. Culmann crítica os teólogos que suprimem a relação de união entre história e mito, por destruir a própria linha do tempo. Pois para o autor constatar que um mito não é “histórico” não implica que o evento que ele circunscreve não tenha seu lugar no tempo, e que o essencial é entender que nos escritos cristãos primitivos, as próprias partes históricas não estão presentes como história, mas como “revelação profética sobre a história”
O autor alega que a história da salvação, também é a história do Cristo, pois o advento do Messias deve ser colocado como ponto central da história da salvação, ou seja, a linha do tempo da história da salvação foi traçada a partir do evento central, infinita antes e depois deste evento. Esta representação temporal nos permite falar de Cristo em qualquer momento da linha do tempo, pois não se pode falar de Deus fazendo abstração do Cristo. Para isto o autor traz um pouco de sua cristologia ao compreender Cristo como mediador da criação, como o servo sofredor de Iahvé cumprindo a eleição de Israel, como Kyrios que reina atualmente e como o Filho do Homem que completa toda a história sendo mediador da nova criação.
O autor conclui a primeira parte da obra determinando um movimento duplo temporal da linha salvação, este movimento duplo abrangeria dois princípios teológicos: a eleição e a substituição. Ou seja, sendo Israel o povo eleito de Deus não conseguiu cumprir em sua totalidade a missão que lhe fora atribuída, havendo então a necessidade do surgimento de um “remanecente” que substitui o povo, do qual falara os profetas. Destarte, a história da salvação, em sua totalidade compreenderia dois movimentos: um corresponderia à passagem da pluralidade ao Único, que fora a Antiga Aliança, e outro que seria a passagem do Único à pluralidade, que é a Nova Aliança.
Rapaz... que bom encontrar um blog específico sobre este autor.
ResponderExcluirNunca havia atentado para este nome e re reppente vejo seu nome citado em obras como "A bíblia e o futuro" de A. Hoekemah; "Tratado de Teologia"- IASD; apostila do IBBC.
Valeu a iniciativa. Deus abençoe vocês
Não encontro este livro em lugar algum. Como conseguiu?
ResponderExcluirPrezado, gostaria de comprar esse livro, conhece alguém que quer vender
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